A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO NA CABALA

O discípulo da Cabala, já um iniciado, guarda alguns preceitos. O primeiro deles é o respeito à tradição do passado, o segundo é a consciência do presente e o terceiro é sua responsabilidade diante do futuro.

O estudo da Cabala é ilimitado e todo ele está necessariamente sobre a base do passado. Quanto mais antiga um fonte cabalista, mais descobertas nos reserva.

E descobertas têm a ver com o futuro. As revelações que a Antiga Tradição da Cabala guarda serão as bases construtivas do nosso futuro pessoal e do imenso grupo humano que formamos.

Mas tanto o passado quanto o futuro só importam diante do que fazemos no presente. O que for feito agora é que pode ainda transformar e aprimorar a alma durante sua encarnação atual.

Nisso a Cabala faz um grande trabalho: ela abre a consciência do iniciado para que o presente seja percebido com toda sua carga de passado e com suas potencialidades futuras.

Apesar do respeito que um cabalista pelo passado, ele não se queda estático a contemplar apenas as verdades antigas. Ele se lança no caminho apontado pelo saber ancestral, com a possibilidade de realizar modificações em todos os aspectos da sua vida. Com isso, assume também a tarefa de interagir com a sabedoria do passado, dando a ela aplicação prática no presente.

A Cabala não é um saber cristalizado. A ciência cabalista é dinâmica e admite participar de todo o processo evolutivo do ser humano, pois como ela poderia deixar de lado os avanços das outras ciências? Isso pode doer para quem não aceita inovações na Cabala, mas é uma realidade.

Muitos discípulos irão se tornar também instrutores. Isso acontece porque é tradição: a Cabala forma e escolhe seus instrutores. Para os que forem indicados, o caminho do instruir é um desejo interior que traz certas responsabilidades.

Na prática, o que isso tudo significa? O iniciado tem que buscar livros antigos e ler todos os comentários que puder sobre esses livros. Depois, deve ler de novo os tais livros e descobrir neles o que os outros cabalistas ainda não encontraram.

Há muito saber guardado nos antigos tratados cabalistas como o Sepher Yetzirah e o Zohar. E o maior tratado cabalista, que é a Bíblia? Como alguém poderia se julgar tão sábio a ponto de dizer que esses livros já estão completamente desvendados?

Todo ensinamento cabalista é dado em vários níveis. Em cada época o grupo humano que o estuda absorve aquilo para o qual está preparado. O que não lhe será útil, passará em branco e não será sequer vislumbrado, a sabedoria que contém fica para um tempo adiante. Outros virão e aprenderão, renovando a Antiga Tradição.

Ensino Tarô há muitos anos e estudo-o permanentemente desde os 20 anos - já tenho agora 55. Faço isso porque nunca deixo de realizar descobertas. Como o Tarô é um livro de Cabala, foi meu primeiro escolhido. Ele tem se revelado para mim aos poucos, em seus diversos níveis, como deve ser.

Sugiro que compre um livro desses que citei e comece a lê-lo, paralelamente a outros escritos sobre Cabala. Pode entender muito pouco num primeiro momento, mas insista. Com o passar dos anos, entenderá mais e mais. E um dia, se for esse seu caminho, você será capaz de criar dentro da Cabala estrutura inovadoras e o saber cabalista florescerá em mais um ramo da Árvore Sagrada.

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Copyright 2003 CELINA FIORAVANTI
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